Por
Rafael Porcari – Ex-árbitro de futebol profissional e comentarista de
arbitragem da Rádio Difusora
O ex-árbitro Marçal Mendes é um batalhador. Foi corajoso e
peitou o poderoso Jorge Rabello no Rio de Janeiro, que usava na FERJ o mesmo
expediente que muitos usaram na FPF: a Comissão de Árbitros Carioca, presidida
por Jorge Rabello, estava muito próxima do Sindicato dos Árbitros (presidido
por Rabello também) e irmanada com a Cooperativa dos Árbitros, do próprio
Rabello.
Já na CBF, infernizou Sérgio Correa da Silva. Tudo o que fez
foi de maneira praticamente solitária e sem grande apoio. Marçal Mendes (não
confunda com Marcelo Marçal, proprietário do site de arbitragem
Apitonacional.com) criou o Sindicato dos Trabalhadores da Arbitragem Esportiva
do Estado do Rio de Janeiro, uma espécie de “entidade paralela”.
Admiro e respeito demais o trabalho de Marçal, embora tenha
algumas respeitosas divergências quanto o seu posicionamento político de
extrema-esquerda (insisto: respeito, pois na democracia todos podemos gostar ou
não de determinados partidos e ideologias). Mas não concordo com a declaração
que deu na audiência pública de estudos sobre o futebol retratada pelo UOL. Ele
disse que:
“Se o árbitro erra contra o Palmeiras, lá dentro [do estádio
do clube], fica fora da escala [para outros jogos]. Duvido que seja indicado
para uma vaga da Fifa (…) Todo mundo sabe o motivo. Sabe que Marco Polo é sócio
benemérito do Palmeiras.“
Aqui, discordo. Ricardo Teixeira é flamenguista, Marco Polo
é palmeirense, José Maria Marin é são paulino. Esses senhores não pensam no
clube (o único que abertamente faz isso é Eurico Miranda, que extrapola a ação
ética em vários momentos). Teixeira, Marin e Marco Polo pensam nos seus umbigos
e nos seus bolsos, não no bem do futebol brasileiro. Quando estava na FPF,
Marco Polo Del Nero e o “escalado de árbitros” Cel Marcos Marinho sofreram com
a invasão da Mancha Verde na sede da entidade. Erros aos montes aconteceram
contra e a favor do Palmeiras (e ao Santos, ao Corinthians, ao Flamengo, ao
Fluminense…).
A verdade é: erra-se por assédio moral a favor de time
grande, não por intenção deliberada ou a mando de Marco Polo. A camisa dos
grandes pesa, e quando o árbitro é fraco e mal preparado (como a maioria),
tende-se a errar. As geladeiras (verdadeiras ou as de mentirinha) sempre
existiram.
Cá entre nós: qualquer time de massa que vença contentará
Del Nero, que tem muitos outros milhões e negócios a lidar do que com que vai
ser campeão brasileiro. Ou você acha que Del Nero está com a camisa alviverde
debaixo do paletó dentro de seu bunker? As preocupações dele são outras…
Enfim: quando o erro é a favor do Corinthians, é porque a
CBF e os árbitros promovem o “apito amigo”. Na semana seguinte o discurso é do
Flamengo, na outra do Internacional, e assim vai. Esqueça o blablabblá de
torcedor, pois tudo isso é ruindade mesmo da juizado mal formada.
Volto a repetir: nessa, o amigo Marçal Mendes “viajou”. O
campeonato não está direcionado a um time, pois quem quer que seja o campeão
(Atlético, Flamengo, Santos ou Palmeiras), terá sido pelos méritos dos seus
jogadores e comissão técnica.