A melhor notícia da 1ª rodada do grupo 11 da Copa São Paulo
é que Jundiaí gosta de futebol. Cerca de 2.500 torcedores lotaram as cadeiras
cativas do estádio Jayme Cintra para conferir a rodada dupla. Cerca de 60% do
público que acompanhou a estreia vitoriosa do Paulista sobre o Red Bull pela
contagem mínima, ficou para acompanhar o primeiro tempo da vitória do Joinville
sobre o Vitória da Conquista.
Os 2.500 torcedores estavam com saudades de acompanhar o bom
e velho futebol na casa do Galo. Jayme Cintra pode receber (e deve receber
outras modalidades esportivas, como futebol americano por exemplo), mas não
pode deixar de receber a sua essência o futebol que vale três pontos. Futebol
de competição.
Ultimamente os maiores públicos na casa do Tricolor eram do “american
football” (repito: não sou contra ocorrer no local), de jogos festivos de
futebol entre Amigos de Fulano x Amigos de Ciclano (que também nãp sou contra
de ocorrer no local) e de shows musicais (que sou totalmente contra em ocorrer
em estádios de futebol – inclusive no senhor Allianz Parque - Praça esportiva é
para receber esporte, não show – mas isto pode ser tema para outra coluna). Mas
o futebol, conhecido como “soccer” nos Estados Unidos não estava levando grande
plateias ao Jayme Cintra, Ano passado o maior público em uma partida foi na
penúltima rodada da Série A-2 do ano passado, quando o Tricolor venceu o
Independente por 5 a 0 e foi acompanhado por 1.184 pagantes.
Os 2.500 torcedores que estiveram no Jayme Cintra com
certeza saíram felizes com o futebol apresentado pela equipe jundiaiense.
Ninguém esperava uma exibição a “La Barcelona”, mas todos tinham uma expectativa
sobre a equipe, e foram surpreendidos de
forma positiva pelo futebol rápido do time, que conseguiu criar várias oportunidades.
O 1 a 0 não refletiu o jogo. O 2 a 0 seria o mais justo no confronto do
Tricolor. Destaque para o meia-atacante Criciúma, que além do autor do gol,
teve duas boas oportunidades de marcar mais gols e sempre se apresentou bem no
ataque. Destaco também Brayan. O passe que ele deu para o camisa 11 do Tricolor
foi nota 10. Valeu pelo partida que ele teve. A torcida pegou muito no pé do
camisa 10 do Galo e comemorou a sua saída no 2º tempo. Achei exagerado.
Meia-armador tem que aparecer pouco no jogo, mas bem. Foi que Brayan fez. E ele
não se escondeu do jogo na minha opinião.
Outra nota positiva: o sistema defensivo do Paulista, muito
bem postado e que quase não deu sustos ao goleiro Enzo. Sistema defensivo vale
desde os atacantes que ajudam na marcação da saída de bola, até os zagueiros
que sempre estavam bem posicionados nas bolas aéreas, ou nas 2ª bolas rasteiras
que ocorreram em alguns lances.
Sobre o Red Bull Brasil, é possível observar uma filosofia
de jogo: 4-4-2, puro, de 2 volantes, 2 meias e 2 atacantes, como jogam todos os
times do “Touro” no mundo (como o RB Leipzig, vice-líder do Alemão). Mas
esperava uma melhor técnica da equipe. Senti falta de jogadores habilidosos.
Nenhum jogador com drible para “quebrar” o esquema do Paulista.
No jogo Joinville e Vitória da Conquista foram dois tempos
distintos. Para avaliação vale o primeiro tempo. Joinville com bom sistema de
ataque, com seu centroavante Maranhão, se destacando. Forte, sabe proteger a
bola e atuar fora da área. E tem boa finalização. No Vitória da Conquista, um
time que tem na bola área a principal jogada, e conseguiu muitas vezes vencer a
defesa do JEC e levar perigo ao gol catarinense. O segundo tempo infelizmente não
é um parâmetro, já que o time baiano sentiu a desgastante viagem de Vitória da
Conquista para Jundiaí e o time catarinense mais bem preparado fisicamente fez
a goleada. O 5 a 0 é um placar bastante enganoso. 3 a 0 refletiria melhor o que
foi o confronto, em virtude da sua segunda etapa.
Mas o melhor desta rodada inaugural é que o jundiaiense
gosta de futebol. Gosta de Copa São Paulo. Gosta de estar presente no Jayme
Cintra. Gosta do Paulista. E quem sabe seja um ano que tenhamos sempre de mais
2 mil torcedores na casa do Galo, para ajudar a levantar o time e sair do
inferno da Série A-3, para voltar a Terra que é a Série A-2.
Por Thiago Batista –
criador e responsável pelo Esporte Jundiaí
