A sexta-feira foi de luto no esporte de Jundiaí. Todos
acordaram chocados com o falecimento de Ernesto Steaheli Neto, aos 55 anos de
idade, vítima de infarto. Ele trabalhou por 21 anos no Clube Jundiaiense, com o
polo aquático da cidade. Seu corpo foi sepultado no final da tarde no Cemitério
Nossa Senhora do Desterro. Esportistas de Jundiaí e jornalistas que
acompanharam a carreira de Ernesto, não apenas nas piscinas, mas também nas
quadras, e falaram sobre a importância dele no esporte da cidade.
O último trabalho de Ernesto Steaheli Neto ocorreu no último
domingo, quando levou o polo aquático do Clube Jundiaiense a participar da 7ª
edição do Polo no Rosa, na Praia do Rosa, em Imbituba, no litoral de Santa Catarina,
quando a equipe de Jundiaí terminou com o vice-campeonato. Um torneio disputado
em águas abertas, diferentemente do que ocorre no polo aquático, que é
disputado em piscinas.
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| Ernesto junto com o elenco que foi vice-campeão do Polo no Rosa, no litoral catarinense, no último domingo |
Edison Luiz Mina, treinador do basquete masculino do Time
Jundiaí, disse ter perdido um amigo nesta sexta-feira. Eles chegaram a se enfrentar
não nas piscinas, mas nas quadras de basquete. “Um grande amigo, uma grande personalidade a
mais de 40 anos. Perdi um de meus melhores amigos e incentivadores do meu
trabalho no basquete pois sabia o quanto lutamos para fazer um basquetebol
melhor para Jundiaí. Fui amigo dele e do irmão que também faleceu bestialmente
num acidente de carro, anos atrás. Chegamos a ser adversários quando eu jogava
pelo Regatas de Campinas a mais de trinta anos atrás, quando éramos juvenis e
apesar de toda rivalidade, nunca fomos inimigos. Somos jundiaienses de coração
e chegamos a jogar juntos pelo Clube Jundiaiense, e também em outros
campeonatos na cidade. Tinha um apelido de Chucro, sem nenhuma falta de
respeito. Tenho um respeito enorme pelo seu trabalho, pela sua luta junto ao
polo aquático jundiaiense e brasileiro, formando grandes atletas e
pessoas. Muito triste sua perda, e que
Deus o receba de braços abertos, como foram suas braçadas nas piscinas!
Deus conforte a toda família neste momento”, disse.
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| Ernesto com a medalha e troféu conquistados no final de semana |
O jornalista Fábio Estevam, lamentou o falecimento de
Ernesto. "O entrevistei por inúmeras vezes enquanto repórter do Jornal de
Jundiaí. Sempre atencioso e um profissional sério. Me lembro, inclusive, da
seriedade com que levava um simples treino de sua equipe. O esporte de Jundiaí
perde muito com sua morte". Para Moacir Regra, comandante do vôlei
feminino do Time Jundiaí, o esporte perde um profissional exemplar. “Um
professor muito dedicado e batalhou sempre pelo crescimento do polo aquático na
cidade, uma grande perda para o esporte é uma excelente pessoa”.
João Carlos Coutinho, repórter do Jornal da Cidade, lembrou
uma boa história de Ernesto, já no comando do polo aquático do Clube
Jundiaiense. “Ernesto foi um exemplo de treinador é amante do esporte,
sobretudo do polo aquático. Custo a acreditar nesta lacuna que ele vai deixar
em Jundiaí. Era um homem determinado no que fazia e abriu a modalidade até para
o meio internacional ao trazer jogadores estrangeiros para clínicas no Clube
Jundiaiense, tudo objetivando o crescimento da modalidade. Conheci ele já em
1993 quando repórter do Jornal de Jundiaí. Acompanhei finais históricas de sua
equipe contra o Pinheiros, tradicional rival do Azul e Branco Clube
Jundiaiense, numa piscina fria e sem muita limpeza no Bolão. O Clube
Jundiaiense venceu e a alegria estampada no rosto de Ernesto era latente. Sentimentos
a toda família.
Ernesto era casado com Magali Staeheli, com quem conviveu
junto entre namoro e casamento por 32 anos – completados recentemente no dia 11
de novembro – com direito a postagem romântica de Magali nas redes sociais. O
casal tinha uma filha, Isadora, que completou 16 anos, também recentemente, no
último dia 24 de novembro.
Secretário de esportes de Jundiaí entre 2013 e 2016, Cristiano Lopes, falou sobre a importância de Ernesto com o desporto na cidade. “Dificilmente Jundiaí terá outra pessoa tão especial como foi ele para o polo aquático. Nós, associados do Clube Jundiaiense e esportistas estamos de luto”, declarou.
Secretário de esportes de Jundiaí entre 2013 e 2016, Cristiano Lopes, falou sobre a importância de Ernesto com o desporto na cidade. “Dificilmente Jundiaí terá outra pessoa tão especial como foi ele para o polo aquático. Nós, associados do Clube Jundiaiense e esportistas estamos de luto”, declarou.
Em 2015, Ernesto foi um dos três indicados ao prêmio Troféu
Camisa 10, do extinto programa Camisa 10 da TVE Jundiaí. Enfrentou concorrentes
de peso como a treinadora de handebol de Jundiaí, Rita Orsi, e Alessandro
Tosim, da seleção brasileira de goalball. E no voto popular, Ernesto venceu a
disputa conquistando o prêmio de melhor treinador do ano, no esporte de
Jundiaí.
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| Ernesto recebendo o Troféu Camisa 10, de melhor treinador do esporte jundiaiense, em 2015 |
Rita Orsi, atualmente diretora do Departamento de Formação e
Rendimento da Unidade de Gestão de Esporte e Lazer da Prefeitura de Jundiaí,
contou que Ernesto era um apaixonado pelo polo aquático. “Muito triste, uma
perda de uma pessoa iluminada, apaixonada abnegada, encantadora, que encantou muitos
jovens na beira da piscina, lutando por uma modalidade. Mas prefiro dizer que
muitas pessoas ganharam com ele, jovens, famílias, com Ernesto, com seus
ensinamentos, com que ele envolveu atletas e essa modalidade que é tão difícil
em nosso país, com pouco reconhecimento, pouco investimento. Ele deixou muitas
marcas, significavas, marcas do bem, porque sempre foi um grande exemplo de
educação, como formou e levou as gerações de esportistas na modalidade. Uma
perda de uma pessoa que com certeza levava pela paixão e carinho a modalidade e
tenha deixado legado com pessoas em Jundiaí e no estado que aprenderam com ele”.
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| Ernesto com todos os premiados na ocasião do Troféu Camisa 10 |
Alessandro Tosim, treinador de goalball da seleção brasileira, contou que o polo aquático de Jundaí perde um grande líder. “Era uma pessoa bastante envolvida com a modalidade. Perdemos uma pessoa do bem, e a modalidade vai perder o seu grande comandante”
Nesta temporada, Ernesto realizou um Torneio Municipal sub-13 e sub-15 de polo aquático, que envolveu além do Clube Jundiaiense, as equipes do Unianchieta e do Sesi Jundiaí, mostrando o seu envolvimento com a modalidade na cidade, não era restrito apenas nas piscinas do Clube Jundiaiense. Jundiaí era uma das três únicas cidades do interior a nesta temporada disputar em alguma categoria o Campeonato Estadual da Federação – as outras eram Ribeirão Preto e Bauru. Os outros times eram da capital.
Nesta temporada, Ernesto realizou um Torneio Municipal sub-13 e sub-15 de polo aquático, que envolveu além do Clube Jundiaiense, as equipes do Unianchieta e do Sesi Jundiaí, mostrando o seu envolvimento com a modalidade na cidade, não era restrito apenas nas piscinas do Clube Jundiaiense. Jundiaí era uma das três únicas cidades do interior a nesta temporada disputar em alguma categoria o Campeonato Estadual da Federação – as outras eram Ribeirão Preto e Bauru. Os outros times eram da capital.
Luiz Trientini, gestor da Unidade de Gestão de Esporte e
Lazer da Prefeitura de Jundiaí, disse que se fosse resumir em uma palavra o que
representa o Ernesto é a tristeza. “Esporte de Jundiaí está de luto. Não é apenas
polo, os amigos, o Trientini, é o esporte de Jundiaí. 30 anos de polo aquático e
era referência onde passava, por tudo que ele conseguiu fazer, pelas dificuldades
que uma modalidade que não é simples, até por questão por exemplo de espaço.
Ele foi competente, produziu jogadores para seleção brasileira, conquistou títulos
estaduais e nacionais. As pessoas não são substituíveis, pode vir alguém até
melhor, mas igual ele não”, contou. “A gente tinha uma relação excelente dentro
do esporte. Sou um pouco mais velho que ele, a gente criou um respeito grande
entre a gente. Quem passa no esporte, sabe o que uma pessoa implantar a
modalidade e durar tanto tempo. Manter a modalidade em alto nível, com atletas
da cidade, contra equipes de forte infraestrutura é de tirar o chapéu”, completou.
Fotos: Facebook - Magali Steaheli, Arquivo - Prefeitura de Jundiaí, e Arquivo - TVE Jundiaí




