Por Thiago Olim - Fotos: Divulgação
Romeu Pellicciari, um dos maiores jogadores que Jundiaí já
produziu na sua história e que jogou a Copa do Mundo de 1938 (marcando três
gols na competição que ocorreu na França) agora dá nome a uma praça na cidade
de São Paulo, que foi inaugurada em 24 de agosto, exatamente 90 anos dele ter
estreado com a camisa do Verdão.
A praça fica situada entre o estádio do Palmeiras, o Allianz
Parque, e a Academia de Futebol do Verdão, no bairro da Água Branca, Zona
Oeste. A iniciativa foi idealizada pela Secretaria de Licenciamento e contou
com a aprovação da Secretaria de Cultura do município.
Em Jundiaí, ele nomeia uma avenida no Jardim Pacaembu,
próximo ao estádio do Paulista.
A vida de Romeu Pellicciari
Nascido em 26 de março de 1911, o craque alviverde passou a
infância na cidade de Jundiaí (SP), em uma casa na Rua Rio Branco, perto da
estação de trem. Seus pais, Humberto e Ida, tiveram dez filhos – cinco homens e
cinco mulheres. De todos os irmãos, Radamés era aquele com quem Romeu tinha
maior afinidade. Apaixonados por futebol, eles se uniram a primos e vizinhos
para criar o Barranco FC.
Quem quisesse entrar na equipe dos Pellicciari devia cumprir
duas exigências: ter menos de 15 anos e adotar o nome de um jogador famoso do
futebol paulista. Romeu pediu para ser chamado de Bororó, em alusão ao half do
Corinthians cujo apelido o divertia.
Após superar a idade permitida para atuar pelo Barranco, o
talentoso atacante se transferiu para o São João, à época o melhor time de
Jundiaí. Seus dribles curtos, capazes de entortar os adversários, chamaram a
atenção do ex-jogador Bertolini, que defendera o Palestra nos primeiros anos
após a fundação do clube.
Conterrâneo de Romeu, Bertolini indicou o jovem de 19 anos ao
Verdão, mas o São João e a família do craque não queriam que ele se mudasse
para São Paulo. O prodígio, contudo, resolveu aceitar o convite palestrino,
dando início à sua vitoriosa trajetória no Maior Campeão do Brasil.
O começo no Alviverde foi arrasador. Levando em conta somente
confrontos válidos por competições oficiais, ele permaneceu invicto em suas
primeiras 24 partidas pela equipe, com 19 vitórias e cinco empates – a primeira
derrota aconteceu em 28 de junho de 1931, contra o Santos, na Vila Belmiro,
pelo Paulista.
Em 1932, já atuando como meia, Romeu comemorou o primeiro
título pelo Palestra. Com 100% de aproveitamento e uma goleada por 8 a 0 sobre
o Santos na última rodada, o Verdão ganhou o Paulista, campeonato que marcou o
fim da era amadora no futebol nacional – Pellicciari marcou 18 gols e foi o
artilheiro do torneio.
No ano seguinte, o craque ajudou o Alviverde a faturar o
bicampeonato paulista e a primeira edição do Torneio Rio-São Paulo. Ele ainda
foi o grande destaque da maior goleada da história do Derby ao fazer quatro
gols no inesquecível triunfo por 8 a 0 – ao todo, ele balançou as redes do
arquirrival em 14 oportunidades.
Com 13 tentos em 14 duelos, Romeu ainda conduziu o Palestra
ao tricampeonato estadual (o único da história palmeirense) antes de ser
negociado com o Fluminense, em 1935. Ficou sete temporadas no Rio, conquistando
o tricampeonato carioca (1936, 1937 e 1938).
Pellicciari voltou ao Verdão em 1942 e participou da
Arrancada Heroica, como ficou conhecido o episódio da mudança de nome do clube
provocada pela perseguição aos imigrantes italianos no Brasil. Dessa forma, ele
fez parte do time campeão paulista naquele ano, com vitória sobre o São Paulo
por 3 a 1 na final, no Pacaembu.
Romeu defendeu o Alviverde em 161 partidas, com 109 vitórias, 24 empates, 28 derrotas – foram 108 gols anotados (é o 13º maior artilheiro do clube em todos os tempos ao lado de Leivinha). Após pendurar as chuteiras, ele abriu uma cantina no Centro de São Paulo, à qual se dedicou até morrer, em 15 de junho de 1971, aos 60 anos.



