Eu, Thiago Batista de Olim, não vou entrar na discussão apenas de quanto
a camisa do Paulista de Jundiaí, tem que custar, pois quero levar a disputa para
algo mais amplo entre todos os clubes do futebol brasileiro. Um uniforme
oficial de um clube do nosso fut está muito caro. Seja de um clube da Série A
do Brasileirão, seja da Série D do Campeonato Acreano (sei que não existe, mas é
uma força de expressão).
Eu, Thiago Batista de Olim, gostaria de ter em minha coleção camisas de
clubes de futebol brasileiro até para usar em casa, ou quando saio de casa de
forma casual. Só que os valores neste século, desde sempre são impraticáveis para
o povo brasileiro.
Vamos lá: em 2002, quando o salário mínimo era de R$ 200, um uniforme
oficial do Corinthians, aquele cinza prateado, lindo, custava mais que R$ 100.
Um uniforme do Etti Jundiaí, nome do Paulista na época, não saia por menos de
R$ 60 – mais de um quarto do salário mínimo da época. Isso a minha memória afetiva
lembra. Só consegui ter uma réplica oficial do Etti Jundiaí do Rio São Paulo,
por causa de uma promoção da Passarella, que você levava um uniforme velho para
a loja e por um pouco a mais (acho que menos de R$ 20) conseguia a réplica do
Paulista. E para comprar doei uma camisa do Corinthians preta e branca da época
que foi campeão da Copa do Brasil de 1995, com patrocínio da Tinta Suvenil –
camisa que nem servia mais em mim. Esse uniforme do Etti Jundiaí tenho até hoje
em casa e consigo usar tranquilamente, diga-se.
Duas camisas que gostaria de comprar, pois são os dois times que mais
torço na minha vida (se você não sabe, então fique sabendo que torço para o Paulista
de Jundiaí, e para o Corinthians – mais para o Galo como foi em 1997, que
estava na praia e lembro que corria de um lado para o outro pelo título
histórico do então Lousano Paulista).
O problema de um uniforme de um time de futebol profissional, seja da
divisão que esteja, não está acessível a população mais carente, que faz o
futebol, desde sempre. Repito: seja da Série A do Brasileirão, seja da Série D
do Campeonato Acreano.
Se você acha caro um uniforme do Paulista – temporada 2021 custar R$ 170,
eu também acho, e concordo ainda mais pela crise que o país atravessa, e a
falta de poder aquisitivo que o torcedor tem.
Agora sabe quanto custa a camisa número 1 da Portuguesa de Desportos na
temporada 2020, que somente agora em 2021 volta a disputar uma divisão nacional
– R$ 179,90. Sabe quanto custa a camisa reserva da Ponte Preta de Campinas, da
temporada 2020 – que já se encerrou? R$ 209,90. O uniforme da Linense na
temporada 2020, aquele com faixas vermelha e branca, que veio a Jundiaí jogar
na A3? R$ 169,90. Isso mesmo R$ 169,90 por um uniforme oficial da Linense no
ANO PASSADO. Os três preços conferi no site Fut Fanatics, na madrugada desta
segunda-feira.
Mas tem mais. Uniforme do São Caetano em 2020 está R$ 159,90. Por R$
139,90 estão os uniformes de 2020 do Osasco Audax, XV de Piracicaba, Taubaté e
até acredite, do Grêmio Prudente, que está na mesma ‘Bezinha’ que o Paulista.
Tudo no site da Fut Fanatics. Todos muito caros na minha opinião. Fora de
qualquer possibilidade para o “povão”.
Dos grandes clubes então, o preço é um absurdo. Camisa do Palmeiras,
campeão da Libertadores de 2020, igual os jogadores estiveram usando no
Maracanã, com patch da competição, está custando por volta de R$ 299,90. Camisa
reserva do São Paulo, escrita Luciano e número 11, está em torno de R$ 269,90.
Uniforme do Santos, com patch da Libertadores, você encontra em média por R$
259,90. E camisa do Corinthians, seja a número 1 ou número 2, está na faixa de
R$ 249,90. Todos esses preços no site da Fut Fanatics.
Em novembro do ano passado, Marinho, melhor jogador do futebol
brasileiro na temporada 2020 (na minha opinião), fez a melhor frase sobre os
custos de uma camisa de time de futebol. “Não entendo como os clubes, não só o
Santos, querem que a torcida consuma produtos oficiais se vendem uma camisa
linda por 360 reais. O torcedor vai escolher comer durante o mês ou comprar uma
camisa?”. É exatamente isso, Marinho.
Cada vez mais os torcedores estão deixando o “povão” fora do futebol profissional. E cada vez mais o torcedor, que é um cliente, se sente que não pertence mais a aquele meio, e procura outras formas de diversão. Não é à toa, que a nova geração cada vez fica mais longe do futebol – pois a ‘garotada’ não se preocupa apenas com seu umbigo, e sim com todos, com a inclusão de todos. E o futebol deveria ser pioneiro na inclusão.
