São Paulo: Conselheiros aprovam impeachment e afastam Casares do clube

16/01/2026 - 22:39

O processo de impeachment de Julio Casares avançou no São Paulo na noite desta sexta-feira após a oposição conseguir o quórum necessário e o Conselho Deliberativo aprovar a abertura do procedimento. Com a decisão, Casares está afastado imediatamente da presidência do clube. A reunião contou com a presença de 223 conselheiros, número acima do mínimo exigido de 75% da casa, equivalente a 191 membros aptos.

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Enquanto os conselheiros se reuniam no salão nobre, torcedores do São Paulo protestavam do lado de fora do Morumbis. Faixas contra o presidente foram estendidas e cânticos como “Fora Casares” e “Se o Conselho não votar, o pau vai quebrar” marcaram a noite de tensão política no clube. A votação foi secreta e ocorreu em formato híbrido, com participação presencial e virtual, conforme determinação judicial.

Inicialmente, o Estatuto previa que o impeachment exigiria dois terços dos votos dos conselheiros, ou seja, 171 dos 254 aptos. No entanto, a defesa de Casares solicitou mudança de interpretação, elevando o quórum para 75% dos votos, pedido que chegou a ser aceito pelo presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres. Diante disso, um grupo de conselheiros acionou a Justiça, e a 3ª Vara Cível do Butantã definiu que a reunião precisaria de 75% de presença, mas que a destituição poderia ser aprovada por dois terços dos votos, decisão mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Com a aprovação do impeachment no Conselho, o cargo de presidente passa a ser ocupado interinamente por Harry Massis Júnior, primeiro vice-presidente do São Paulo. 

Como o Conselho Deliberativo emitiu parecer favorável definitivo, Olten Ayres terá de convocar a Assembleia Geral dos Sócios, última instância do processo. Até a votação dos associados, Julio Casares estará afastado de suas funções.

Se a Assembleia Geral confirmar a destituição, Casares perderá o restante do mandato, que iria até o fim de 2026, mas continuará como associado e poderá concorrer a cargos futuros. Caso os sócios rejeitem o impeachment, ele retorna automaticamente à presidência. Em caso de afastamento definitivo, Harry Massis Júnior comandará o clube até o término do atual mandato.

Aos 80 anos, Massis Júnior é empresário, sócio do São Paulo desde 1964 e conselheiro vitalício. Ele já ocupou diferentes cargos no Tricolor, como diretor adjunto de futebol entre 2001 e 2002 e diretor adjunto administrativo no início da década de 1990.

O pedido de impeachment foi protocolado pelo grupo político “Salve o Tricolor Paulista”, que reuniu 57 assinaturas com base nos artigos 63, 79 e 112 do Estatuto Social. Segundo os opositores, 13 desses apoios vieram de conselheiros ligados à situação, indicando o enfraquecimento político de Julio Casares em meio a escândalos recentes e investigações conduzidas pela Polícia Civil.

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