Atleta de Jundiaí traz 1ª medalha do Brasil nas Paralímpiadas de Inverno

10/03/2026 - 12:51
Por Thiago Batista – Jundiaí (SP)

O brasileiro Cristian Ribera, morador de Jundiaí, fez história nesta terça-feira, ao conquistar a medalha de prata no sprint do esqui cross-country sentado nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão e Cortina 2026. Com o resultado, ele garantiu a primeira medalha da história do Brasil em uma edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno.

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A prata histórica no sprint masculino da categoria sitting (atletas com deficiência nos membros inferiores) é o segundo resultado histórico do país na neve italiana. Menos de um mês antes, Lucas Pinheiro Braathen já tinha conquistado o primeiro pódio brasileiro no esporte Olímpico de inverno com a medalha de ouro no slalom gigante do esqui alpino.

Natural de Cerejeiras (RO) e criado em Jundiaí (SP), Ribera dominou todas as fases eliminatórias da competição até chegar à final.

Na final da prova desta terça-feira, Ribera chegou a liderar grande parte do percurso e esteve muito próximo do ouro. No entanto, na reta final acabou sendo ultrapassado pelo chinês Zixu Lui, que venceu a disputa com o tempo de 2min28s9. O brasileiro cruzou a linha de chegada logo atrás, marcando 2min29s6.

O pódio foi completado pelo cazaque Yerbol Khamitov, que terminou a prova em 2min29s9. 

“Quero agradecer muito meu time, trabalhamos sempre juntos, e minha família, afinal é por eles que estou aqui. Faltou muito pouco para a medalha de ouro, mas mérito para a reação do atleta chinês no final da prova. Agora é comemorar o resultado e a próxima meta é o primeiro lugar”, disse o atleta, muito emocionado, em entrevista ao Sportv.

Apesar de ter ficado a poucos décimos do título, Ribera celebrou o feito histórico para o esporte brasileiro, já que o país nunca havia conquistado medalha em uma edição das Paralimpíadas de Inverno.

Essa foi a terceira paralímpiada de Cristian. Em 2018, aos 15 anos, ele terminou em 6º lugar na prova de longa distância do esqui cross-country. Quatro anos depois seu melhor resultado foi o 8º lugar no revezamento misto 4 por 2,5km e 13º lugar na prova de esqui cross-country de média distância. 

Cristian nasceu com artrogripose – doença congênita das articulações das extremidades – e, em busca de tratamento, mudou-se de Rondônia para Jundiaí, sendo atleta do Peama. Aos 15 anos, já passou por 21 cirurgias para a correção das pernas e hoje, além do esqui cross-country, também faz natação, atletismo e anda de skate. 

Ele se considera um jundiaiense – onde mantém residência até hoje, sem claro esquecer suas origens do Norte do país.

A medalha de Cristian é um marco também para sua família. O irmão mais velho, Fábio, é seu treinador, a irmã caçula, Eduarda, começou no Esqui cross-country inspirada por ele e também competiu nos Jogos Olímpicos de Inverno, realizados há um mês nas mesmas cidades italianas.

Neste ciclo paralímpico, conquistou 15 dos seus 19 pódios em etapas da Copa do Mundo e quatro das cinco medalhas em Mundiais ao longo deste ciclo.

Foi campeão mundial no sprint sitting em 2025 (depois de ter sido bronze nesta prova também em 2023) e conquistou o Globo de Cristal como campeão geral da Copa do Mundo da modalidade na temporada 2024/2025. Chegou aos Jogos Paralímpicos de Inverno Milano Cortina 2026 como um dos líderes da Lista de Pontos FIS e confirmou o resultado, trazendo a prata para o Brasil.

Outro grande resultado de destaque do atleta foi no Campeonato Mundial de Esportes de Neve de 2021, realizado em Lillehammer, Ribera conquistou a medalha de prata no segundo lugar na prova de velocidade. Na prova de 18 km, terminou em sexto lugar, e na prova de 10 km, em oitavo.

A medalha desta terça-feira reforça a evolução do Brasil nas modalidades de neve e gelo e coloca o nome de Cristian Ribera definitivamente na história do esporte paralímpico nacional. 

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