Virou moda! Ganhe um jogo como treinador e receba como prêmio a sua demissão

22/03/2026 - 13:48
Por Thiago Batista – Jundiaí (SP)

A máxima de que vitória dá tranquilidade ao treinador parece cada vez mais ultrapassada no futebol brasileiro. Neste domingo, o Botafogo anunciou a demissão do técnico Martín Anselmi, apenas um dia após vencer o Bragantino, por 2 a 1, fora de casa, pelo Campeonato Brasileiro. A decisão foi tomada em reunião pela manhã, encerrando uma passagem de 18 jogos do argentino no comando alvinegro.

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Contratado com expectativa após bons trabalhos no exterior, Anselmi não resistiu à pressão por resultados e desempenho. Apesar da vitória recente, o clube alegou falta de evolução e consistência ao longo da temporada. 

A campanha irregular, marcada por eliminações nas quartas do Carioca e na Pré-Libertadores e oscilações, pesou na decisão da diretoria liderada por John Textor. 

Como solução imediata, o técnico do sub-20, Rodrigo Bellão, assume interinamente enquanto o clube busca um novo comandante no mercado.

O caso no Botafogo não é isolado e reforça uma tendência curiosa — e preocupante — no futebol nacional. Recentemente, o Flamengo também protagonizou situação semelhante ao demitir Filipe Luís logo após uma expressiva vitória por 8 a 0 sobre o Madureira na semifinal no Campeonato Carioca. 

Os episódios evidenciam que, mais do que o resultado imediato, fatores internos, desempenho acumulado e bastidores têm pesado cada vez mais nas decisões.

Se antes vencer era sinônimo de estabilidade, agora nem mesmo goleadas ou triunfos importantes garantem sobrevida no cargo. A “moda” das demissões pós-vitória escancara a impaciência dos clubes e a volatilidade do futebol brasileiro, onde o resultado até do dia já não é suficiente para segurar o técnico.

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