“O futebol não é exceção. Toda a sociedade está sofrendo e
vai se modificar. Estamos todos nos reinventando, tanto na parte material, mas
também na parte mental”, disse em entrevista a Revista Veja, o presidente da Federação Paulista de Futebol
(FPF), Reinaldo Carneiro Bastos.
Ele defende os interesses de um quarto dos clubes que estão
no grupo de elite do esporte nacional, e está com os pés no chão. Mas, é claro,
tem na cabeça os prejuízos causados pela paralisação em virtude do coronavírus.
Na entrevista ele deixou claro a situação que os clubes da
Série A3 estarão passando. “No caso dos times da Série A3, a maioria dos
jogadores tinha contrato até maio, quando acabava a competição. Esses estão
sofrendo também, negociando com os atletas. Mas esse mês acaba sua maior
despesa, que é com a folha de pagamento de futebol. Na A2, apenas São Bento
(Série C) e São Caetano (Série D) disputam competições nacionais. Os outros
clubes, também encerram no próximo dia 30. Será difícil cumprir esse último
mês, certamente. Mas também tem uma luz no fim do túnel. Agora, na primeira
divisão, a exceção seriam Santo André, Água Santa e Inter de Limeira, que não
tem competições nacionais”, afirmou.
Carneiro Bastos disse que a pandemia provocará um duro baque
nas receitas dos quatro grandes times de São Paulo. O Bragantino, o quinto
clube paulista na primeira divisão do Campeonato Brasileiro, seria a única
exceção, mas sofrerá por uma consequência de outra crise, a cambial. E na visão
do dirigente, é justamente o grupo que mais fatura o mais prejudicado pela
crise.
Sobre a retomada do Paulistão ele ainda está otimista. “Estamos
diante do cenário que é mais possível. Nós temos apenas seis rodadas por fazer.
Dos dezesseis clubes que disputam o campeonato, em apenas duas rodadas ficam
apenas os oito classificados para a próxima fase. Após a terceira data de
jogos, sobram apenas quatro times. Ou seja, isso simplifica a organização. Mas
em todas partidas respeitaremos os mesmos protocolos de saúde. Quando possível,
poderemos retomar o campeonato com segurança para todos os envolvidos”, contou.
Para Carneiro, o drama será igual para todos os times do
estado de São Paulo. “Os grandes clubes podem até ter receita maior, contratos
mais generosos, mas suas despesas e compromissos também são muito maiores. Se
analisarmos a situação dos clubes que fazem parte do calendário nacional de
competições, esses times têm contrato com atletas de mais de um ano de duração.
Os menores, como por exemplo 90% da segunda divisão de São Paulo, não tinham
sequer registrado atletas. Então enquanto essas equipes ficarem sem atividade,
seu custo fixo é muito pequeno. É difícil, é. É um drama, é. Mas eles não têm
folha de pagamento alta”, disse.
Por Thiago Batista /// Foto: Divulgação
