É sempre triste ver seu time de coração ser eliminado de uma competição.
Seja na semifinal, seja na primeira fase, seja um clube superpoderoso e rico no
mundo, seja uma agremiação com poucos recursos, dívidas e sem tradição até
mesmo no bairro da sua cidade. Seja um clube profissional, seja um time amador.
Seja no futebol, seja no beisebol. Seja por um gol de diferença, seja por 700 pontos
de vantagem ao rial. Ser eliminado dói para o torcedor. Só que é neste momento
de eliminação que todos precisam ter calma e não se desesperar por conta de uma
eliminação.
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Colocado uma introdução inicial, na minha humilde opinião, o Paulista em
2021 cumpriu a sua missão. Para mim, eu esperava uma classificação as oitavas
de final. O que iria acontecer depois era lucro. E porque lucro: pois em uma
competição de playoff, o popular 'mata-mata', que são dois jogos apenas, o imponderável
pode prevalecer. E uma decisão ruim seja do treinador, seja de um jogador e até
mesmo de um árbitro a favor ou contra o seu time, pode acabar ou prosseguir a
participação do seu time. Por isso devemos ter calma. Paulista não vai acabar
porque foi eliminado no último sábado. Isso faz parte do esporte.
Infelizmente torcedor brasileiro não está preparado até emocionalmente
para eliminações, que é o fato mais natural que vai acontecer com um atleta seja
no esporte individual ou com um time no esporte coletivo. Já deveríamos estar
acostumados que ocorrem mais derrotas que vitórias. Por isso quando se ganha um
título é muito saboroso, pela sua dificuldade. Seja o título da ‘Bezinha’ do
Paulistão de botão, seja a conquista da Copa do Mundo de xadrez. Qualquer conquista
de campeonato é saboroso.
Só que temos que aprender com as eliminações e algumas vezes saber não “comemorar”,
mas aceitar que um 2º, 5º, 10º ou 16º lugar era o melhor que aquele time ou
atleta poderia fazer na competição. Temos que parar de cultuar uma frase idiota
de uma pessoa que não era perfeita sempre, que mais perdeu corridas do que
venceu: Ayrton Senna da Silva, que sempre dizia que “O 2º é o primeiro dos últimos”.
Uma frase bem idiota de um cara que acha que 2º é sinônimo de derrota. Pergunta
ao vice-campeão da ‘Bezinha’ deste ano se 2º será derrota. Claro que não!
Torcedor precisa entender o real papel que seu time pode chegar, e para
mim o Paulista, como os outros 15 times destas oitavas de final poderiam ser
finalistas. Esse ano não temos um super favorito, como foi em 2019 com Paulista
e Marília. A ‘Bezinha’ se tornou um campeonato equilibrado.
E quando um campeonato define todas suas vagas de acesso em uma 'mata-mata'
(para falar termo popular, no qual detesto, pois ninguém morre, e ainda é um
termo bélico demais), praticamente força um time a ser perfeito na competição.
Você não pode errar. Não pode ter chance de recuperação. Diferente de um campeonato
de pontos corridos.
Ainda mais quando todos os elencos tem jogadores com no máximo 23 anos,
que não viveram muitas experiências no futebol. Muitos “garotos” viveram a primeira
vez de um jogo eliminatório no futebol profissional e não tem ainda seu
emocional preparado para um confronto decisivo. Faz parte da formação do atleta
– e até mesmo do ser humanos.
Vamos lembrar ainda que estamos em uma pandemia, onde as dificuldades
financeiras aumentaram, as dificuldades para observar jogadores ficaram maiores
e muitos ficaram parados, conseguindo sequer fazer um treino mínimo decente em
suas casas ou regiões. Ainda tivemos um calendário apertado com intervalo curto
entre os jogos. O que força uma agremiação a ser perfeita na competição. E nem
sempre pode.
Não vou comentar sobre o jogo, pois isso é um tema a parte. Apenas vou
dizer que não faltou vontade aos jogadores, que deixaram seu melhor em campo
(ninguém foi vagabundo como gostam de escrever nas redes sociais, isso desculpe
não vou aceitar).
Agora a minha avaliação da participação do Paulista na competição é
aceitável. Sim, para mim aceitável, por tudo que já expliquei acima. Era o que eu esperava para este ano. E digo isso com muita sinceridade. Agora não vou ser o "falso" e escrever que deveria chegar a final e que o acesso a obrigação. Ninguém é obrigado a nada em primeiro lugar. E para mim, a classificação as oitavas de final a missão do Paulista em 2021 estaria cumprida. O que ocorreria depois seria lucro. Não teve esse lucro - paciência. E caminhar e que alguns
pontos devem continuar para 2022.
Exemplo: não posso criticar a diretoria que errou no planejamento
inicial, quando acertou um treinador antes de junho. Foi o timing correto. Contratação
de jogadores idem. Poderia ter melhorado o elenco, poderia claro, especialmente
agora entre o final da primeira fase e oitavas de final, só que precisamos
entender todo o contexto: tempo curto e ainda a realidade financeira do clube. Esse tipo de planejamento acredito deve ser repetido em 2022. Tomara que com mais êxito. Pois nem sempre quando contratamos um profissional ele pode dar certo. O Paulista poderia contratar o Messi sub-23 para esse ano e ele poderia não render. Como uma empresa de jornalismo pode contratar o novo "Willian Bonner" e não render como se esperava. Isso faz parte do mundo que vivemos - esqueceram? (e não estou passando pano, antes que alguém ache que é isso).
O momento exige calma. Nada de atitudes desesperadas, porque o Paulista não
avançou para as quartas de final. É hora de também o torcedor ser um pouco mais
frio. Talvez seja o momento de mais união no clube, e não de separação. Em vez
de ter duas, três, quatro correntes, ter uma única, que possa levar o clube a um
único trilho para sair da ‘Bezinha’ logo logo. Pode ser em 2023. Pode ser em
2024. Pode ser em 2025. O Paulista com um projeto de médio-longo prazo, com
bastante calma, e sem a “pressão sufocante de tem que subir logo”, o clube tem
tudo para sair. Momento é de todos terem calma, refletir os pontos positivos e
negativos e continuar tocando seu futebol, onde viveremos as frustrações das
derrotas e as alegrias saborosas das vitórias.
Por Thiago Batista - jornalista e responsável do Site Esporte Jundiaí
Foto: Thiago Batista – Esporte Jundiaí