Por Thiago Batista – Editor-chefe e responsável pelo Esporte Paulista
Foto: Divulgação - Fifa
O futebol brasileiro sofreu duas derrotas duras nas duas últimas
participações em finais da Copa do Mundo de clubes. Derrotas com requintes de
crueldade, seja com gol do time europeu anotado por um “brazuka” ou por
cobrança de pênalti – em infração cometida no jogo. O Brasil não perdeu uma
final de Copa do Mundo de clubes na disputa artificial de pênaltis, que transforma
o futebol em um outro esporte. Perdeu no esporte chamado futebol porque aqui
não temos a cultura a jogar prorrogações.
As duas derrotas sim, certamente podem entrar na conta da fala de cultura
do futebol brasileiro em jogar prorrogações. Claramente tanto em 2019 o
Flamengo sentiu o tempo extra de 30 minutos ao jogo, como o Palmeiras os 30
minutos suplementares a partida. Porque aqui estamos acostumados mesmo que sem
querer ao empate em uma série em confronto eliminatório a definição ser nos pênaltis.
Essa falta de cultura de prorrogações está o futebol brasileiro – e o
sul-americano a pagar a conta: derrotas doídas na alma nas finais dos Mundiais
de clubes.
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O futebol europeu está mais do que acostumado a jogar prorrogações em
suas competições seja de seleções, seja de clubes. Agora recentemente apenas a
Copa da Liga Inglesa, a 2ª copa eliminatória em importância na Inglaterra aboliu
a prorrogação – exceto a decisão.
Os jogadores que atuam em clubes europeus estão preparados fisicamente e
mentalmente para jogar uma prorrogação. Em partidas eliminatórias,
especialmente nos jogos de volta, não gastam todo seu gás. Também não se desgastam
mentalmente com a tensão que é um jogo que pode ir à prorrogação. Pois lá se
joga prorrogação – seja nas Copas Nacionais, seja na Liga dos Campeões ou na
Liga Europa.
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Times vencedores mesmo que naquela competição não tenham passado por uma
prorrogação para vencer, aquele grupo passou por um tempo extra em um torneio
muito recente. Chelsea mesmo, 7 dias antes da prorrogação contra o Palmeiras, encarou
um tempo extra contra uma equipe da 3ª divisão na Copa da Inglaterra – e também
venceu, marcando um gol nos 30 minutos adicionais. Em agosto passado, o time inglês precisou
jogar uma prorrogação na Supercopa Europeia, contra o Villareal. Somente foi
campeão nos pênaltis. Mas jogou prorrogação.
O Liverpool na temporada 2019/20 também jogou uma prorrogação antes de
encarar o Flamengo naquele dezembro de 2019 – contra o Chelsea pelo título da
Supercopa Europeia – os Reds somente garantiram a taça ao ganharem nos
pênaltis.
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Agora o dado que mais vai mostrar a diferença que o futebol sul-americano
– onde está o Brasil, com o futebol europeu sobre a “cultura da prorrogação”. Sem
contar fases preliminares, nas últimas cinco edições na Liga dos Campeões
ocorreram 4 prorrogações (1 e 2020/21, 1 em 2019/20, 1 em 2018/19 e 1 em
2016/17). Sabe quantos tivemos na Libertadores? Duas – nas finais de 2018 ganha
do River sobre o Boca e a do ano passado do Palmeiras sobre o Flamengo.
Em seleções, as duas últimas edições da Euro somadas tiveram 13
prorrogações (8 na edição de 2020 e 5 na edição de 2016), enquanto a Copa
América nas últimas sete edições somadas teve 5 prorrogações (3 na edição de
2011 que teve tempo extra já nas quartas de final, 1 em 2015 – apenas a final
previa, 1 em 2016 – apenas a final previa).
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Em Copas do Mundo sabe quantas prorrogações tivemos entre América do Sul
e Europa nas últimas 4 edições – quatro e o futebol sul-americano só ganhou no
tempo extra apenas uma, com Argentina, em São Paulo, em 2014 – sobre a Suíça,
em São Paulo, gol de Di Maria. Duas prorrogações foram terminar apenas nos pênaltis
(vitória da Argentina sobre Países Baixos em 2014 e derrota da Colômbia frente
a Inglaterra em 2018) e uma derrota na prorrogação mais importante entre
América do Sul e Europa em Copas do Mundo: 1 a 0 para Alemanha na final da de
2014.
Isso tudo está se refletindo e fazendo diferença nos confrontos Brasil x
Europa nas últimas finais da Copa do Mundo de clubes – que aqui teimosamente
chamamos de forma errada de Mundial de clubes da Fifa.
Em 2019, o Flamengo em um erro do seu sistema defensivo, que faltou concentração,
permitiu o gol do título do Liverpool anotado por Firmino. Tento anotado aos 8
minutos da prorrogação. A história se repete dois anos e dois meses depois, por
outros meios: time brasileiro agora sem físico e um pouco desconcentrado (pois
se tivesse concentração, defensores não estariam com braço aberto daquele
jeito) sofre o gol da derrota, desta vez em cobrança de pênalti de Havertz,
para decretar o título do Chelsea.
O futebol brasileiro e até mesmo sul-americano precisa acabar com a cultura de quem empatou uma série no tempo regulamentar a definição tem que ser nos pênaltis. Não. ESTÃO ERRADOS! Temos que acabar é a com cultura boba (e idiota para mim) da disputa de pênaltis. Cultura dos pênaltis, NÃO! Temos que implantar a volta da prorrogação. Se a Globo não gosta, a Band não gosta, Espn não gosta, SBT não gosta porque vai ferrar as suas grades problema das emissoras. Temos que pensar no esporte: e no esporte um classificado em jogo de futebol é no 11 contra 11 e não em chutinho na marca penal a 11 metros do gol. Pela cultura da prorrogação, no Brasil sim senhor.