Sergipe e
Botafogo terminou por volta das 22h15 da quinta-feira. O jogo que terminou 1 a 1,
com gol do Fogão saindo aos 54min30 do segundo tempo, teve muita polêmica, devido
ao gol ter sido além do tempo de acréscimo informado. Por conta do gol sofrido,
dirigentes do Sergipe agrediram o árbitro catarinense Braúlio Machado. Somente por
volta das 21h da sexta-feira, é que a súmula com os relatos do apitador foi
divulgada no site da CBF. No relato, Braúlio
confirma as agressões que sofreu, que foi ameaçado de morte e que bombas e
tentativa de invasão ao vestiário da arbitragem ocorreram após a partida. A
súmula somente foi escrita fora do estádio, muito provavelmente quando o árbitro
chegou em sua residência, já que o policiamento, pelos relatos do árbitro, conduziu
ele diretamente para o aeroporto.
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O árbitro escreveu
o seguinte inicialmente: “Após o termino da partida, dirigentes, membros da
comissão, atletas suplentes, atletas não relacionados e alguns torcedores
(todos da equipe CS Sergipe) invadiram o campo de jogo através do acesso
utilizado pelas equipes entrarem em campo para disputar a partida, correndo em
direção da equipe de arbitragem de forma hostil, com dedos em riste e
proferindo ainda palavras agressivas num comportamento extremamente exagerado. Neste
momento solicitei por diversas vezes o auxílio dos seguranças particulares
contratados para prestar os cuidados e zelar pela integridade física e moral da
equipe de arbitragem no evento, pois estes estavam bem próximos, sendo que os
mesmos se recusaram a entrar no campo de jogo e realizar a segurança da equipe
de arbitragem”, iniciou.
“Com a não
entrada dos seguranças, as agressões iniciaram com o atleta não relacionado da
equipe CS Sergipe, Sr. Silvio Henderson Santos de Freitas que segurou minha
camisa na altura do tronco e me puxou com uso de força. em ato continuo fui
atingido pelo presidente do Cs Sergipe sr. Ernan Sena que desferiu vários socos
em minha direção com uso de força e muita agressividade, sendo que os primeiros
socos atingiram o lado esquerdo do meu rosto e os demais meu braço e costas,
que este, somente foi contido após a intervenção do AA2 (árbitro assistente
número 2) Henrique Neu Ribeiro, que em momento imediatamente posterior a ação
do AA2, o mesmo passou a ser perseguido e ameaçado pelo dirigente citado
(presidente do CS Sergipe Sr. Ernan Sena), que aos gritos proferia as seguintes
palavras: ‘Eu vou te pagar, vou te arrebentar’”, continuou Braúlio.
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“Após o AA2
Henrique Neu Ribeiro de forma enfática pedir ao Sr. Ernan que o mesmo se
afastasse e se acalma-se, tal atitude não resultou em êxito pois o Sr. Ernan
persistia com as ameaças, e em meio ao tumulto o AA2 se sentiu ameaçado e
acuado por estar cada vez mais se afastando do policiamento motivado pela perseguição,
em ato de legitima defesa na tentativa de se desvencilhar do agressor do
arbitro, atingiu o Sr. Ernan com sua bandeira, após este ato, o AA2 correu em direção
aos outros integrantes que estavam sob os cuidados do policiamento, sendo ainda
agredido com um chute na perna desferido pelo jogador da equipe CS Sergipe,
nº14, Sr. Miguel da Silva”, relatou o árbitro.
“Registro
que as palavras proferidas e comportamentos realizados pelos envolvidos em relação
as investidas contra o AA2 foram informadas pelo próprio AA2 a minha pessoa no
momento em que se aproximou da equipe de arbitragem que estava sendo escoltada
ao vestiário pelos policiais. em ato continuo o fisiologista da equipe CS
Sergipe Sr. Levy Anthony (este identificado após o evento por imagens da
internet com auxílio do delegado da partida) desfere uma voadora e um chute,
ambos com uso de força atingindo minha coxa esquerda. As agressões físicas somente
foram contidas após a chegada do policiamento que estava na outra lateral do
campo de jogo, que afastou os agressores. Neste momento o presidente da equipe CS
Sergipe Sr. Ernan Sena de forma clara deu início a uma sequência de ameaças e
ofensas verbais de forma insultante e humilhante, proferindo as seguintes
palavras repetidamente aos integrantes da equipe de arbitragem: ‘E eu vou te
matar, seus vagabundos, ladrões, safados, filhos da puta’. Em ato continuo
outras pessoas que estavam nas imediações (estes não conseguimos identificar)
se uniram ao presidente e também deram sequência as agressões verbais proferindo
as seguintes palavras repetidamente aos integrantes da equipe de arbitragem: ‘Eu
vou te matar, seus vagabundos, ladrões, safados, filhos da puta’”, continuou no
relato na súmula o árbitro catarinense.
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“Após, o
policiamento nos conduziu ao vestiário, e enquanto éramos escoltados fomos atingidos
por chinelos e copos plásticos com liquido que não pode ser identificado,
arremessados do espaço destinado a torcedores equipe mandante. Durante o
período que estivemos no vestiário, sob escolta de policiais, ouvimos diversas
explosões de bombas nos arredores, e pessoas gritando de forma ameaçadora por
repetidas vezes as seguintes palavras: ‘Nós vamos matar vocês, vamos te esperar
no aeroporto, vamos te achar em Santa Catarina’. Então orientados pelo
policiamento, ficamos aguardando pelo reforço de mais policiais e viaturas por aproximadamente uma hora, após a
chegada do reforço policial, fomos conduzidos dentro das viaturas até a área de
embarque do aeroporto”, afirmou o árbitro na súmula.
“Por fim,
informo que os 'bos' (boletins de ocorrência) e o exame de corpo delito estão
sendo providenciados e assim que prontos serão enviados como anexos da presente
sumula ao Departamento de competições da CBF”, finalizou.
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Na súmula, o
árbitro ainda relatou o seguinte: “Informo que por motivo de segurança e também
em virtude do grande tumulto motivado pela invasão de campo de jogo e
imediações, foi orientado pelo comandante policiamento que a sumula fosse
confeccionada fora do estádio em momento posterior, e o boletim de ocorrência registrado
na chegada em nosso estado de origem (SC) devido não haver delegacia no estádio
e a mais próxima estar situada em local onde o translado não oferecia segurança”,
relatou.
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