O Corinthians voltou a enfrentar forte pressão fora de campo. Em meio ao cenário financeiro delicado, o clube paulista recebeu um prazo judicial de 48 horas para comprovar pagamentos recentes e apresentar informações detalhadas sobre credores dentro do Regime Centralizado de Execuções (RCE).
Segundo informações divulgadas pelo UOL, a cobrança consta em relatório da Laspro Consultores, administradora judicial responsável pelo acompanhamento do processo, entregue na última quarta-feira (22) à Justiça de São Paulo. O prazo estabelecido se encerra nesta sexta-feira (24).
O documento solicita que o clube comprove os repasses referentes aos rateios dos meses de fevereiro e março, além de apresentar uma relação completa dos credores com os respectivos dados bancários, medida necessária para a continuidade dos pagamentos previstos no plano judicial.
A administradora judicial não antecipou punições imediatas em caso de descumprimento, mas destacou que o atendimento das exigências é fundamental para manter a regularidade do andamento do RCE, mecanismo criado justamente para organizar o pagamento das dívidas em execução.
Ainda de acordo com o relatório, durante fevereiro, o Corinthians precisou recorrer a mais de R$ 70 milhões em antecipações de receitas para sustentar o fluxo de caixa e aliviar a pressão financeira imediata.
A primeira operação foi feita com a patrocinadora máster, a casa de apostas Esportes da Sorte, no valor de R$ 46,9 milhões. A segunda envolveu o contrato com a Nike, com antecipação de R$ 23,75 milhões por meio de uma operação estruturada com o Banco Daycoval.
Apesar de ajudarem momentaneamente no caixa, esses valores foram registrados como operações financeiras, e não como receita operacional, aumentando diretamente o nível de endividamento do clube.
O saldo da conta de empréstimos saltou de R$ 361,4 milhões em janeiro para R$ 381,9 milhões em fevereiro. O maior crescimento foi observado justamente na dívida com o Banco Daycoval, que subiu de R$ 111,3 milhões para R$ 132,1 milhões.
A Laspro também apontou que, em março, o clube não apresentou documentos como extratos bancários, balancetes contábeis e comprovantes financeiros, o que dificultou uma validação mais completa das informações prestadas.
Mesmo assim, foi considerado matematicamente coerente o repasse de R$ 2,65 milhões ao RCE, correspondente a 4% da receita mensal declarada pelo clube naquele período.
Outro ponto destacado envolve a venda de atletas. Embora esses valores não entrem diretamente no cálculo da receita mensal do regime, o plano determina que 20% dessas negociações sejam destinados ao chamado leilão reverso, mecanismo voltado ao pagamento de credores.
Em fevereiro, esse repasse obrigatório foi calculado em R$ 1,36 milhão. Já em março, o valor apontado foi de R$ 644,7 mil. Com isso, o Corinthians segue tentando equilibrar as contas enquanto enfrenta novas exigências judiciais em um momento de forte turbulência administrativa e financeira.
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