Por Rafael Porcari – Ex-árbitro de futebol profissional e comentarista de arbitragem da Rádio Difusora
A FA (a “CBF inglesa”) chiou. Clubes e jogadores idem.
Claro, tudo com o apoio dos torcedores. Estamos falando da atitude antipática
da FIFA em proibir o… Poppy!
Explicando: durante a 1ª Grande Guerra, muitos soldados do
País de Gales, Escócia e Inglaterra morreram em combate na França. E entre os
seus túmulos improvisados nascia uma única flor: a papoula, ou ‘poppy’. Por tal
motivo, simbolicamente, a planta trazia aos cidadãos a mensagem de que a
resistência e a luta pela paz não havia morrido (já que era algo que insistia
em brotar no meio das vítimas enterradas), se tornando um marco memorável por
aqueles que lutaram pelo fim da Primeira Guerra Mundial.
Por décadas, no dia desse memorial de luta pela paz (11 de
novembro), se costuma usar bótons de flor de papoula para a reverência ao fato.
Nos campeonatos inglês, escocês e galês, na rodada próxima a essa data, usa-se
a imagem da flor como lembrança nas camisas (como as costumeiras faixas pretas
nas mangas, representando luto no Brasil, por exemplo).
Porém, nesse ano, a FIFA usou o argumento que proíbe
propaganda política ou religiosa em uniformes ou gestos, vetando assim o uso do
símbolo da papoula. A revolta, portanto, é gigantesca por lá, especialmente
porque justamente no dia 11 jogarão Inglaterra x Escócia em Wembley, e uma
cerimônia seria realizada pelos mortos. Claro, com muita “flor de poppy” por
lá.
E você, concorda com a FIFA?
Penso que, se a entidade adotar esse critério, dentro da
cultura ocidental deveria proibir fazer sinal-da-cruz, usar tarja de luto,
erguer os braços ao céu… Aliás, poderá afirmar que a cor negra é
preconceituosa, etc…
Estou sendo irônico, lógico. Penso que o ‘excessivamente
politicamente correto’ da entidade extrapola. Deveria usar o mesmo critério no
rigor de suas contas e atos corruptos.
