Raphael Pereira e Thales Campanati merecem aplausos pelo 1º tempo desta sexta

24/01/2026 - 13:45
Texto de Thiago Batista - jornalista e editor-chefe do Esporte Paulista, no qual é responsável desde 2009 | Trabalha desde 2006 com jornalismo esportivo com passagens por Agência Bom Dia, Jornal da Cidade, Jornal de Jundiaí, Rádio Cidade Jundiaí, Rádio Difusora Jundiaí, TV Japi e TVE Jundiaí – Foto: JP Sports / Paulista FC

Se você é amante do futebol e não é torcedor nem do Paulista, nem do Itapirense, e resolveu assistir Paulista x Itapirense, teve um entretenimento que foi dos melhores neste começo de 2026. Pois certamente gostou de assistir e sorriu bastante com o futebol mostrados pelas duas equipes, especialmente no 1º tempo, na abertura da Série A3. O jogo que terminou 2 a 2, não deveu em nada, especialmente no 1º tempo, aos melhores jogos do Campeonato Brasileiro do ano passado. Intensidade, chances de gol e times sem medos de arriscar. E quem merece os parabéns pelo ótimo 1º tempo são os dois treinadores, que fizeram suas equipes não ter medo de jogar, serem ofensivos e buscar o gol. 

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Foram dois times que resolveram jogar futebol. Com muita velocidade, procurando aproveitar os pontos vulneráveis de cada time. Mas sem medo de serem felizes. E o que se viu no 1º tempo foi um ótimo jogo de futebol. Um dos melhores jogos até agora do ano. Primeiro tempo então não ficou devendo nada a jogos de Paulistão, Cariocão, Mineiro, Copinha, Série A2. 

Se um ET chegasse no Jayme Cintra às 19h59 e assistisse a partida, acharia que estava vendo um 1º tempo de Brasileirão e não de Série A3. E os números refletem exatamente o que foi esse jogo.

Segundo dados do site AiScore.com, que coleta estatísticas dos jogos da Série A3, nos 45min iniciais foram 15 finalizações – sendo 8 do Paulista e 7 do Itapirense – cada time acertou corretamente o gol adversário por 3 vezes.

Como comparação, o primeiro tempo de Santos x Corinthians teve apenas 11 finalizações – 4 do Santos e 7 do Corinthians; Palmeiras x Santos foram somente 9 finalizações – 4 do Verdão e 5 do Peixe; e Corinthians x São Paulo teve apenas uma finalização a mais na etapa inicial que o jogo de sexta no Jayme Cintra – 16 – sendo que foram 12 do Corinthians contra somente 4 do São Paulo.

A partida terminou com quase 200 ações de ataque, segundo dados do AiScore. Paulista teve 99 aççoes e a Itapirense 93 – 192 no total somadas as duas equipes. Como comparação, Santos e Corinthians teve 180 ações de ataque (85 do Peixe contra 95 do Timão), Palmeiras e Santos teve também 180 ações no ataque (Verdão apenas 73, contra 107 do Peixe), e Corinthians x São Paulo foram 166 ações ofensivas (95 do Alvinegro contra 71 do Tricolor)

Os números do jogo mostram que foram duas equipes que mais procuram o gol, do que se defendem. E torcedor gosta de ver gol. Claro que se puder ser apenas do seu time, seria melhor, mas nem sempre funciona assim.

Dentro de campo foi possível observar que cada treinador procurou da melhor maneira, buscar a vitória. Itapirense, de Campinatti, com uma marcação bastante alta, quase na linha de meio-campo – ou seja no limite da linha de impedimento. Com isso, era uma marcação pressão. 

O Paulista, de Pereira, buscou usar a velocidade pelos lados, e a infiltração dos seus atacantes que atuavam pelo centro e os meias, para entrar nas costas da defesa adversária, para entrar nos espaços vazios, já que a Itapirense, propositalmente oferecia campo.

E o que se viu era um primeiro tempo que você não conseguia tirar os olhos. Olhar algo no celular para responder algum ZAP, nem pensar, pois poderia perder um lance importante do jogo.

Os erros que aconteceram nos dois times, e resultaram em gols, quero também dar aos méritos aos times que anotaram os gols. Os dois gols sofridos pelo Paulista, são méritos do Itapirense que procura forçar o erro do adversário – erros não forçados. Os dois gols sofridos pela Itapirense, são muito mérito do Paulista, já que um foi jogada muito bem trabalhada pelo seu ataque, com gente pisando na área; e o outro, uma ‘paulada’, indefensável e até mesmo sem bloqueio para um sistema defensivo.

O segundo tempo muitos podem criticar o ritmo que foi, mas natural para o primeiro jogo de uma temporada que será de 15 jogos em 60 dias nesta primeira fase.

Porém dentro de campo, Paulista e Itapirense colocaram tudo e mais um pouco em campo. E fizeram um ótimo espetáculo para um começo de Série A3.

Pois como disse muito bem Raphael Pereira, na entrevista coletiva, o torcedor “paga (ingresso) para ver um espetáculo”. E o torcedor do Paulista, como torcedor do Itapirense, naquele fundinho, apesar dos erros das suas defesas, sai com a sensação que viu um bom espetáculo.

E como fez a torcida do Paulista na arquibancada, como também a torcida da Itapirense, aplaudiram seus times no final do jogo.

Errado foi alguns torcedores da numerada, que vaiaram o time do Paulista – não era jogo para vaias, apesar do resultado não ter sido o que todos esperavam, as vaias foram um exagero, dos poucos que fizeram isso.

A festa da torcida do Paulista antes do jogo, com direito a uma linda queima de fogos, após o hino nacional, era um prenúncio do que seria a partida.

Apenas faltou a mesma queima de fogos no fim do jogo, que poderia ser feita pelos amantes do futebol, pelo desempenho dos dois times, pois eram foram dignas de aplausos – ou melhor de queima de fogos, pelo excelente 1º tempo que fizeram. 

Óbvio que o resultado no fim foi melhor para o Itapirense, do que ao Paulista, até pelas circunstâncias do jogo.

Porém mais de 12h depois de terminado o jogo, com calma, faço a reflexão, que ambas as equipes tem mais perspectivas boas no campeonato, do que a gente achava. A frustração do Paulista pelo resultado, acho que será momentânea. E a Itapirense será uma das agradáveis surpresas do campeonato.

E parabéns a torcida do Paulista que levou mais de 3mil pessoas ao Jayme Cintra, mostrando seu carinho ao Galo e ao futebol. Mostrando que futebol tem muito espaço em Jundiaí. Para quem fica escrevendo em rede social a bobagem que o Jayme Cintra deveria virar condomínio, ‘engula’ os 3mil presentes no estádio e o ótimo jogo de futebol que ocorreu nesta sexta-feira. Jayme Cintra é e sempre será o templo do futebol de Jundiaí. Ali é a casa do futebol da cidade. Condomínio pode ser até no seu r... (fica quieto, Thiago – ordem do advogado).


PS: E antes que alguém fala que estou aqui criticando o treinador anterior do Paulista, gosto muito do estilo de Fausto Dias de montar futebol – que é o futebol de contra-ataque. Quando bem executado também é espetáculo. Pois gols em contra-ataque são lindos de se ver, como foram os dois no segundo tempo, no jogo do acesso, nos 3 a 0 do Galo sobre o Nacional, os gols na etapa final na semi da Bezinha, em Bebedouro, nos 3 a 0, e na final em Caieiras da 5ª divisão, nos 4 a 0 sobre o Colorado.

Eu não tenho um gosto apenas tático ou forma de jogo de futebol. Gosto de ver futebol e suas maneiras diferentes de como fazer gols. 

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