Perto de completar 100 anos (em novembro de 2020), a
Associação Atlética Ipiranga, na Vila Arens, está fechando as portas. No
futebol amador da cidade, o Ipiranga é o terceiro clube com mais títulos na
história. Foram oito no total.
A agremiação foi a segunda a conquistar um título, em 1928.
No ano seguinte, faturou o torneio novamente, sendo o primeiro bicampeão na
história do município. O Ipiranga ainda foi campeão nos anos de 1933, 1934,
1956, 1958, 1959 e 1960.
Por duas vezes, na década de 60, a Associação Atlética
Ipiranga disputou a Terceira Divisão do Campeonato Paulista do futebol
profissional, atualmente a Série A3 do Paulistão.
O clube, fundado em 9 de novembro de 1920, jogou em 1961 e
1962 a ‘Terceirona’, mandando suas partidas no próprio bairro da Vila Arens, no
estádio do Nacional Atlético Clube. Como comparação, nestes dois anos, o
Paulista estava na Segunda Divisão, a atual Série A2 do Estadual.
Mesmo não indo longe nos dois anos, o Ipiranga teve um
resultado histórico: venceu o Gran São João, de Limeira, em casa, por 7 a 0.
No período que foi profissional, o clube da Vila Arens
enfrentou times que fizeram história no futebol do interior, como o Estrada de
Sorocaba e o Ituano.
O tricampeonato de 1958, 59 e 60 com nomes históricos como
Nivaldo Bonassi e Wilson Martini no time empolgou os dirigentes, que resolveram
inscrever o clube nos campeonatos profissionais da Federação Paulista de
Futebol, segundo explicação do historiador Ivan Gottardo.
Em duas assembleias, associados em geral e sócios
patrimoniais decidiram por encerrar as atividades, devido às dívidas que o
clube possui. O valor é de aproximadamente de R$ 1 milhão e o prejuízo só está
aumentando, pois a receita mensal do clube é inferior às despesas. Atualmente,
os gastos para manter o clube aberto são de R$ 30 mil por mês, e o orçamento
mensal, com tudo que é arrecadado, é de no máximo R$ 10 mil (apenas 50 sócios
aproximadamente), conforme explicação do presidente do conselho deliberativo,
Ardrovanni Cipolatto, ao Jornal de Jundiaí, no dia 19 de dezembro.
“A gente tinha dívidas com a CPFL. Para não deixar cortar a
luz, nunca deixamos de passar o vencimento de três contas. Tínhamos dívidas com
a DAE, com fornecedores e com a prefeitura”, conta.
O valor da dívida do clube pode aumentar, segundo o
presidente do conselho, mas gira em R$ 1milhão. Em dezembro, a administração
municipal entrou com um processo na Vara da Fazenda Pública do Foro de Jundiaí
contra o clube, cobrando R$ 123.738,02 de dívida ativa. Até o momento, o clube
não tinha regularizado o Habite-se e também não recolhia o FGTS desde 2016.
O processo para o fechamento do Ipiranga deverá levar pelo
menos mais seis meses. Localizada na Vila Arens, a área tem aproximadamente
3.200m2 e o valor ainda não foi avaliado, mas possíveis interessados já
existem. “Uma igreja veio nos procurar, só que não queremos propostas de papo,
queremos por escrito”, diz Ardrovanni Cipolatto.
